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Dez denúncias após eleição são filtradas, e quatro ocorreram em MS, diz ministro

Visita de ministros a aldeias Guarani Kaiowá anunciou reforço da Força Nacional e adoção de monitoramento por imagens em ocorrências consideradas graves.
Dez denúncias após eleição são filtradas, e quatro ocorreram em MS, diz ministro
Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos

Quatro dos dez casos de violência e ameaças contra indígenas reunidos após o segundo turno das eleições ocorreram em Mato Grosso do Sul, segundo o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena. A informação foi apresentada durante uma visita de ministros a aldeias Guarani Kaiowá na fronteira com o Paraguai.

Os casos ainda passam por averiguação preliminar. De acordo com Terena, somente a denúncia de possível envenenamento da água tem, até o momento, ligação direta com crime político. As demais ocorrências não foram descartadas, mas ainda não receberam essa classificação.

Reforço da Força Nacional

Durante a agenda, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, anunciou que a presença da Força Nacional em Mato Grosso do Sul deverá ser ampliada. O efetivo deverá receber reforço para atuar na proteção das aldeias indígenas.

Segundo Lima e Silva, as equipes permanecerão na área de operações e poderão ser deslocadas em situações com aparência criminosa ou consideradas graves. O acionamento poderá ser feito pela Polícia Federal, pela Polícia Rodoviária Federal ou pelas forças estaduais.

A atuação também deverá incluir o procedimento chamado “Minuto a Minuto”. Conforme o ministro, o sistema informará, por meio de imagens, o tipo de ocorrência e, quando possível, indicará a autoria e a materialidade dos fatos.

Denúncias e monitoramento

A comitiva visitou as aldeias Sassoró, em Tacuru, e Taquapery, em Coronel Sapucaia. A região passou a receber atenção após denúncias de violência contra indígenas divulgadas nas redes sociais depois das eleições.

Na aldeia Sassoró, circulou em grupos da cidade de Tacuru um áudio com ameaça de envenenamento da água. A suspeita apresentada na divulgação é de participação de um servidor público do município. Segundo Eloy Terena, a Polícia Federal já ouviu suspeitos, e o monitoramento da qualidade da água será reforçado.

O ministro dos Povos Indígenas afirmou ainda que parte das denúncias recebidas pode se referir a episódios ocorridos em outros períodos, o que torna necessária a apuração individual de cada caso. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil contabilizou mais de 30 ocorrências, conforme a divulgação.

Programa de proteção

O Ministério dos Direitos Humanos informou que disponibilizará o Programa de Proteção às vítimas dos casos. Mais de 80 indígenas de Mato Grosso do Sul já integram o programa, segundo a pasta.

Não foram informados, na divulgação, o número de agentes que será acrescentado à Força Nacional nem um prazo para a ampliação do efetivo.

Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.

Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos