CIDADES

Mulheres de comunidades tradicionais recebem apoio para enfrentar violência de gênero

Iniciativas no Amazonas, na Bahia e no Rio de Janeiro atendem indígenas, pescadoras, marisqueiras e quilombolas; práticas reconhecidas receberam financiamentos de até R$ 200 mil.
Mulheres de comunidades tradicionais recebem apoio para enfrentar violência de gênero
Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos

Projetos voltados a mulheres indígenas, pescadoras, marisqueiras e quilombolas foram reconhecidos pelo Programa Antes que Aconteça, em cerimônia realizada na quarta-feira (4), em Brasília. As iniciativas atuam em prevenção, orientação, atendimento e capacitação para o enfrentamento da violência de gênero.

Previsto na Lei 15.398, publicada neste ano, o programa reconheceu práticas distribuídas em oito categorias. Os projetos receberam financiamentos entre R$ 50 mil e R$ 200 mil. A cerimônia contou com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes.

Atuação entre povos indígenas

O projeto Promotoras Legais Populares Indígenas do Rio Negro, coordenado por Cleocimara Reis Gomes, de 38 anos, recebeu menção honrosa. Ela vive na comunidade de Cartucho, no noroeste do Amazonas, onde moram 40 famílias. O local fica a quatro dias de barco de São Gabriel da Cachoeira (AM).

De acordo com Cleocimara, a iniciativa trabalha com 23 povos em cem comunidades dos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro. O projeto busca sensibilizar as mulheres sobre diferentes formas de violência e sobre a importância de conhecer os próprios direitos.

A coordenadora citou casos de violência física, sexual, psicológica e patrimonial. Segundo ela, as agressões podem ser cometidas por invasores das terras ou por homens indígenas. As denúncias, afirmou, demoram a chegar aos serviços públicos por causa da distância entre as comunidades.

Cleocimara também defendeu a ampliação de equipamentos públicos para ações de prevenção. Ela relatou ainda ter recebido pedidos de lideranças indígenas para que homens aliados sejam envolvidos nas iniciativas de enfrentamento à violência. O projeto pretende reforçar a ideia de que a violência não faz parte da cultura indígena.

Atendimento a pescadoras e marisqueiras

Na Bahia, a Associação de Pescadores e Marisqueiras de São Félix foi escolhida na categoria “Justiça que acolhe mulheres”. A presidente da iniciativa, Cátia Chagas, de 58 anos, é marisqueira e se formou em direito e psicologia para prestar apoio à comunidade.

O projeto começou em 2012 e atende cerca de 600 mulheres, a maioria mães solo e jovens com muitos filhos. As participantes pescam principalmente no Rio Paraguaçu. Cátia afirmou que parte das mulheres atendidas vive em situação de vulnerabilidade e tem vergonha de falar sobre a violência.

Entre as ações oferecidas estão atendimentos psicológicos e médicos, além de capacitações. A proposta, segundo a presidente, é reunir diferentes formas de apoio para as mulheres da região.

Projeto em comunidades quilombolas

Outra iniciativa reconhecida foi o projeto Dandara, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A ação atende cerca de 500 mulheres por meio de cursos realizados nos próprios territórios e de atividades de escuta cidadã.

A presidente da Associação Estadual das Quilombolas do Rio de Janeiro, Ana Beatriz Bernardes Nunes, da comunidade Maria Conga, em Magé, afirmou que as mulheres quilombolas também enfrentam violência territorial.

Segundo ela, as quilombolas administram grande parte dos territórios e atuam na proteção da biodiversidade, o que as coloca em situação de ameaça. Ana Beatriz é atendida por um programa de proteção do Estado.

Fonte: Agência Brasil Direitos Humanos.

Foto distribuída pela Agência Brasil Direitos Humanos